Sair ou não sair da zona de conforto? Eis a questão!

Sair ou não sair da zona de conforto? Eis a questão!

Com o aumento da divulgação de materiais de desenvolvimento pessoal, muito se ouve falar da obrigatoriedade de “sair da zona de conforto”. De forma precipitada, muitos interpretam que quem não sai da zona de conforto é alguém acomodado, sem objetivos e sem capacidade de evolução. Será?

Esta questão deve ser abordada com todo o cuidado e cientificidade, pois estamos a falar de pessoas, e não de se “sair só por sair”. Numa abordagem científica, a aprendizagem ocorre quando se avança para além da zona de conforto, designada zona habitual conhecida, pois as mesmas experiências nos mesmos contextos, levam a resultados similares. Por outro lado, sendo o processo de aprendizagem um continuum, é esperado que diariamente nos movimentemos de forma a economizar energia, pois seria muito desgastante se de cada vez que tivéssemos de acender a luz procurássemos toda a estratégia mental e comportamental para carregar no interruptor. Então, a nossa zona de conforto é também adaptativa, preserva o nosso funcionamento biológico, emocional e mental, e vai-se ampliando à medida que vivemos.

É de notar que quando surgem imprevistos, saímos da zona de conforto de forma automática para resolver a situação. Aí, sem questionarmos, agimos. Então, talvez seja a saída consciente que traz mais questões. Será que resistimos por medo do desconhecido? Vai requerer demasiado esforço? Será que nos vamos sair bem? Pois bem, estas questões são pertinentes, mas muitas vezes não saímos da ‘zona de conforto’ pois efetivamente é a nossa melhor escolha para esse momento. Por paradoxal que pareça, quando temos que salvaguardar o que para nós é fundamental, dar prioridade à nossa saúde e bem-estar, ou quando o nosso organismo está demasiado sobrecarregado com uma situação difícil, pode ser mais benéfico aguardar até nos fortificarmos um pouco mais, e só depois avançar.

Sair ou não sair da zona de conforto”?

A resposta é sua. Depende do momento de vida em que a pessoa se encontra, pois importa respeitar o mundo de cada um/a, o ritmo individual. Acreditar no potencial e desenvolvimento humano requer olhar para o todo, em vez de considerar apenas uma pequena parcela de vida. O que para uns pode ser um pequeno passo para outros pode ser um passo gigante. Por isso é que a escolha consciente de se sair da zona de conforto deve ser vista como um passo com significado no processo mais amplo de aprendizagem, tendo como alicerce a importância da experiência, e o que esta nos vai acrescentar. Sair da zona de conforto é alargar a experiência de vida, e quando reunimos condições para o fazer podemos avançar. A escolha é nossa, sem pressa ou pressões externas, pois “quem dá um passo na direção desejada, já começou a chegar” (Fábio Melo).

Helga Gonçalves

Psicóloga Clínica, Coach e Facilitadora de Cura Reconectiva

Imagem de Pexels por Pixabay