Ansiedade, Pânico, Fobias

Ansiedade, Pânico, Fobias

A ansiedade é uma resposta emocional natural do nosso organismo que ocorre quando estamos perante uma ameaça percebida, resultante de um conflito interno. Quando é percebido o conflito, o nosso cérebro envia uma mensagem bioquímica que vai lançar no nosso corpo o necessário para que possamos reagir.

Assim, podemos sentir o seguinte:

  • Dores de cabeça, vertigens
  • Visão distorcida devido à dilatação das pupilas
  • Dificuldade em engolir porque a boca começa a ficar seca
  • Tensão muscular que nos prepara para a acção
  • Respiração mais rápida e superficial para fornecer mais oxigénio aos músculos
  • Aumento dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea
  • Lentificação da digestão
  • Maior libertação de açúcar para compensar o desgaste energético
  • Relaxamento dos esfíncteres (maior vontade de urinar ou diarreia)
  • Maior sudação para arrefecer o corpo

Por sua vez, o medo é também uma emoção natural do ser humano e surge como resposta a um estímulo específico e concreto. Leva-nos a comportamentos de luta ou fuga e a sintomatologia sentida é comum à que é percepcionada na ansiedade.

Muitas vezes, o medo e a ansiedade aparecem juntos, como acontece no pânico. O ser humano tem a capacidade de antecipar a ansiedade mesmo sem a presença de estímulos ou conflitos internos e é esta capacidade que muitas vezes nos leva a quadros complexos que se perpetuam no tempo.

Quando é que a ansiedade é um problema?

A ansiedade é um problema quando é desproporcionada à intensidade e qualidade das situações que a desencadeiam e quando a pessoa sente não ter recursos internos para lidar com a mesma. Nestes casos, a avaliação das situações é distorcida devido a crenças negativas, a experiências traumáticas do passado, a aprendizagens automáticas que a pessoa realizou ao longo do tempo.

Para além disso, os transtornos de ansiedade provocam uma diminuição da autoconfiança da pessoa, dado que esta deixou de realizar tarefas/actividades que antes eram fáceis de concretizar. A pessoa vê, assim, a sua qualidade de vida a diminuir a cada dia que passa.

Porque é que a ansiedade se mantém no tempo?

A ansiedade mantém-se devido ao evitamento/fuga das situações geradoras de ansiedade e aos pensamentos negativos e distorções cognitivas. A pessoa possui pensamentos e crenças acerca do que pode acontecer face à situação temida e antecipa a ansiedade. Ao mesmo tempo, inicia comportamentos de fuga ou evitamento que a vão securizar face a essa situação. Assim, a pessoa, automaticamente, evita enfrentar a ansiedade, ficando impossibilitada de avaliar/constatar que os seus receios eram exagerados e passíveis de ser ultrapassados.

Quais os principais transtornos de ansiedade que existem?

Existem vários tipos de problemáticas associadas a ansiedade. Aqui enfatizamos as mais comuns, de acordo com o DSM V:

Perturbação de Ansiedade Generalizada: caracterizada por ansiedade excessiva por no mínimo seis meses.

Ansiedade de Separação: Medo ou ansiedade excessiva, considerando o estágio de desenvolvimento, relativamente a separação física de pessoas pelas quais sente apego, interferindo no dia-a-dia da pessoa.

Fobia Específica: medo ou ansiedade acentuados acerca de um objecto ou situação (ex. voar, agulhas, ver sangue, etc.), o que conduz ao evitamento ou intenso sofrimento/mau-estar.

Fobia Social/Ansiedade Social: Medo ou ansiedade acentuados acerca de uma ou mais situações sociais em que a pessoa é exposta a possível avaliação por outras pessoas (interacções sociais, ser observado e/ou situações de desempenho diante de outros/as). Este medo ou ansiedade conduz a comportamentos de evitamento ou elevado sofrimento ou desconforto.

Ataque de Pânico: é o surgir abrupto de um medo intenso que alcança um pico em poucos minutos no qual a pessoa pode sentir falta de ar, palpitação, desconforto ou dor no peito, sensações de sufoco e medo de “enlouquecer”, de perder o controlo, de morrer.

Perturbação de pânico: ataques de pânico inesperados (sem causa específica) e recorrentes; os ataques parecem vir do nada, como quando a pessoa está a relaxar ou a emergir do sono (ataque de pânico nocturno). A partir dos primeiros episódios, a pessoa mantém-se hipervigilante e preocupada com a sua saúde física, mental e com a sua segurança e, muitas vezes, com a dos outros. Os pensamentos tendem a ser catastróficos e gradual e progressivamente a pessoa desenvolve o medo de ter medo.

Agorafobia: é ansiedade ou medo intenso em locais cuja fuga possa ser difícil ou embaraçosa, ou onde sinta que pode não obter auxílio se tiver um ataque de pânico.

Nota: é comum que estas problemáticas surjam associadas a outras como a depressão, o stresse pós-traumático, a perturbação obsessivo-compulsiva, ou outras.

Há tratamento para os transtornos de ansiedade?

Sim. Com a Hipnose Clínica, Psicoterapia EMDR, Psicologia com PNL e/ou estratégias cognitivo-comportamentais da psicologia é possível tratar os transtornos de ansiedade. Para o efeito, usa-se o relaxamento, exercícios de respiração, reprogramação mental, ressignificação de experiências, entre outras técnicas psicoterapêuticas.