A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção é uma perturbação do neurodesenvolvimento, sendo uma das mais frequentes na infância. Assim, não falamos de crianças com falta de regras, “mal educadas” ou, simplesmente, mais aventureiras, mas de algo muito mais complexo.
Para percebermos melhor, podemos pensar na criança com PHDA como alguém com um “equipamento de base/de origem que funciona de forma diferente”. Do ponto de vista da fisiopatologia, a PHDA é um distúrbio neurobiológico que envolve disfunção de várias regiões específicas do sistema nervoso central, concretamente do córtex pré-frontal, núcleos da base e do cerebelo. As áreas afetadas são responsáveis pelo planeamento, atenção e execução de tarefas, e essenciais na autorregulação e controlo inibitório. Neste sentido a criança com PHDA apresenta dificuldades em inibir apropriadamente a resposta, até que toda a informação seja processada, o que vai levar muitas vezes a reações rápidas e intempestivas, mesmo não sendo essa a vontade da mesma. Mas a hiperatividade e impulsividade não são as únicas características desta perturbação, sendo essencial atender também aos problemas de desatenção. Atualmente consideram-se três subtipos de PHDA: de apresentação predominantemente desatento; de apresentação predominantemente hiperativo-impulsivo; e de apresentação predominantemente misto ou combinado.
Perceber que a PHDA é uma perturbação de base neurológica permite uma melhor compreensão da mesma e reduzir os estigmas, assegurando-se que não é um rótulo para crianças difíceis, nem o resultado de competências sociofamiliares desajustadas. Apesar das alterações anatómicas e neuroquímicas presentes, o diagnóstico da PHDA é exclusivamente clínico e baseado em critérios comportamentais, devendo ser realizado por profissionais com formação para tal (e.g., neuropsicólogo, pedopsiquiatra, neurologista, psiquiatra).
Sinais de Alerta
Sinais de alerta a que os pais e professores devem estar atentos:
– criança é excessivamente irrequieta, não se fixando em nenhuma atividade. Mesmo quando vê na televisão um vídeo que gosta, não consegue parar: mexe as pernas, levanta-se e senta-se constantemente;
– gosta de mandar nas brincadeiras e mete-se frequentemente em confusões com as outras crianças;
– é intensa nas brincadeiras ou descoordenada;
– interrompe os outros, não ouve as perguntas até ao fim, quer ser a primeira a responder;
– está sossegada na sala de aula, mas distraída, sem ouvir o que os outros dizem;
– demora imenso tempo a realizar os trabalhos de casa: distrai-se facilmente, inventa brincadeiras com o material, levanta-se para pedir comida,…
A PHDA aumenta o risco de aparecimento de outras perturbações associadas (ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem, perturbação de oposição e desafio,…), está associada a um maior número de acidentes, tem impacto no rendimento académico e na integração social da criança/adolescente. No contexto familiar representa um desafio acrescido na dinâmica familiar. Assim, saber pedir ajuda profissional é essencial para tornar o percurso menos tumultuoso e mais feliz.
Psicóloga clínica, da educação e neuropsicóloga
Foto de Alexander Grey