O papel do Medo

O papel do Medo

O medo é uma emoção primária. Está gravado na nossa biologia. Tem como função proteger-nos, garantir a nossa integridade física e psicológica. É algo positivo, certo? No entanto, porque olhamos para o medo como algo negativo e mau? Numa situação de ameaça percebida, o medo mexe com o nosso corpo, deixa-nos tensos, agitados, vigilantes, prontos para fugir/lutar ou bloqueados, às vezes. É uma emoção que traz desconforto e uma sensação desagradável. De facto, o que buscamos é o alívio, o “já passou” e vamos agir para que isso aconteça. Sem a emoção medo não era possível e é dessa forma que a sua missão fica cumprida. Connosco ficou gravada a experiência e a nossa mente faz a aprendizagem necessária para que, no futuro, não voltemos a passar pela mesma situação ou circunstâncias ou saibamos reagir da forma mais protetora para nós.

Quando é que o medo se torna um problema para nós? Quando percebemos que a nossa resposta emocional de medo é desproporcional ou desajustada ao contexto ou situação, quando nos impede de viver. O problema será ainda maior quando o que emerge é o medo de ter medo, por consequência das experiências avassaladoras que foram vividas.

E quando se torna um problema, o que tentamos fazer é fugir do medo, evitar tudo aquilo que o pode ativar. Ao mesmo tempo, ao fazê-lo, vamos ficando mais e mais limitados, mais e mais inseguros e infelizes.

A verdade é que essa emoção está a desempenhar a sua função, o seu papel. Continua a ter uma intenção positiva, a de nos proteger e nos salvaguardar, mesmo que surja de forma desajustada. Quando compreendemos a sua história, a sua mensagem, podemos dar passos para apaziguar essa resposta emocional e agirmos de forma funcional e ajustada ao contexto/circunstâncias. Quando reintegramos o que não foi integrado no passado e quando reaprendemos, conseguimos reconquistar o nosso espaço, a nossa liberdade, a nossa confiança, a nossa vida.

Por isso, é importante acolhermos dentro de nós que todas as emoções são boas. Precisamos é de nos conhecermos melhor, de nos fortalecermos e de enchermos a nossa caixa de ferramentas com estratégias de regulação emocional e recursos internos.

Lília Andrade

Psicóloga Clínica, Hipnoterapeuta e Coach