A família é considerada como um sistema, em que cada membro da família está interligado, por isso, quando ocorre uma mudança com um, afetará todos os outros membros. O divórcio é um acontecimento vivido com inquietação para as famílias, uma vez que, implica mudanças na vida dos pais e dos filhos. Em qualquer mudança/transição surgem sentimentos de alguma insegurança e ansiedade.
Os pais poderão, através da implementação de determinadas estratégias, facilitar o ajustamento emocional dos filhos perante a situação de divórcio:
1. Conversar com o/a seu/sua filho
Os pais em conjunto deverão conversar com o seu filho/a de forma clara sobre a situação e sobre as mudanças que ocorrerão. Podem surgir algumas questões que deverá responder de forma autêntica e com honestidade, tais como:
- A culpa é minha?
- Eu posso fazer alguma coisa para continuarem juntos?
- Vão continuar a gostar de mim, mesmo morando noutra casa?
- Com que frequência nos vamos ver?
- Eu vou ter que mudar de escola?
É importante transmitir-lhes segurança e garantir-lhes que a culpa não é deles nem de ninguém, pelo facto de estarem a viver esta situação. Esta afirmação deverá ser repetida sempre que necessário e esclarecer que não há nada que tivessem feito para que isso acontecesse.
O divórcio é uma decisão adulta com base em problemas de adultos. Poderá dar respostas como: “Não estamos a conseguir que a nossa relação funcione.” “Já não estamos apaixonados, mas vamos amar-te sempre.”
A tarefa dos pais é escutar atentamente, e responder de modo respeitador, autêntico e o mais honesto possível. Reconheça as emoções do seu filho/a e reafirme mais uma mais uma vez que a responsabilidade da situação é dos pais. É importante utilizar uma linguagem consciente e estar atento às suas emoções: “Estou a ver que estás triste. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que isto corra da melhor forma possível.”
2. Manter a ligação com os/as filhos/as
Devem ser criadas as condições para que o seu filho/a continue a crescer e a conviver com ambos os pais. O seu filho/a sentirá uma falta de segurança pelo facto de não ter os dois pais em casa com ele/a, por isso, é importante transmitir-lhes essa segurança e não chegarem atrasados, desmarcarem ou esquecerem algo com que se tinham comprometido, pois farão com que se sinta perdido/a e inseguro/a.
É importante que não seja o seu filho/a a decidir, por exemplo, com quem irá morar, pois atribuirá nele um peso demasiadamente grande, e poderá sentir que está a trair um dos pais. Os pais têm de assumir essa decisão e essa responsabilidade.
3. Manter a cordialidade
O casal deve evitar discussões, conflitos em frente ao seu filho/a.
Estes comportamentos dificultam a forma como os filhos lidam com o divórcio dos pais.
4. Não desabafar com um/a filho/a como se fosse um/a amigo/a
Nesta fase de mudança muitas vezes os pais necessitam de falar com alguém que lhes valide o que estão a sentir e acabam por falar com os filhos como se fossem amigos/adultos. Mas devem lembrar-se que as crianças não têm maturidade para compreenderem a complexidade e as dificuldades de uma relação, e acabarão por ficar mais confusas, perdidas e com sentimentos de ambiguidade em relação aos pais.
5. Manter as rotinas
É fundamental manter as rotinas diárias do seu filho/a, a situação de divórcio já trará mudanças e alterações à vida da criança.
6. Avisar os/as professores/as e educadores/as
Explique a situação aos agentes educativos, explique a fase em que se encontra o seu filho/a, e mantenha esta comunicação com estes aliados a fim de perceber sinais que possam influenciar o rendimento escolar e/ou emocional do seu filho/a.
7. Procurar ajuda especializada
A terapia ajuda a facilitar este processo com a família, fornecendo estratégias para lidar com o sofrimento e as dificuldades que possam surgir perante a situação de divórcio. O psicólogo pode orientar a família no sentido de criar as melhores condições para o bem-estar de todos.
Em suma, é importante que a experiência de divórcio seja vivida pelo casal que a enfrenta, de uma forma equilibrada, com maturidade e respeito, de forma a amenizar as consequências emocionais que a situação possa causar no desenvolvimento emocional do seu filho.
Psicóloga Infanto-Juvenil e Neuropsicóloga
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