Como comunicar de forma mais consciente e afetiva nas nossas relações íntimas? (1ª parte)

Como comunicar de forma mais consciente e afetiva nas nossas relações íntimas? (1ª parte)

Os seres humanos são seres relacionais, e é na relação com os outros que nos reconhecemos e nos constituímos enquanto pessoas. Conectarmo-nos com os outros geralmente traz-nos felicidade e uma boa comunicação é chave essencial neste processo.

As relações podem ser fontes de alegria e satisfação ou de stress e conflito. Uma comunicação efetiva ajuda os casais a melhorar e fortalecer o seu relacionamento, enquanto uma comunicação ineficaz pode causar conflitos e afastamento entre os parceiros.

Mas o que torna uma comunicação efetiva? E como podemos melhorar a forma como comunicamos nas nossas relações?

O que é a Comunicação Consciente e Afetiva?

A Comunicação Consciente e Afetiva é uma reflexão sobre a nossa linguagem que tem como propósito trazer consciência para a forma e intenção com que comunicamos.

Mark Rosenberg, psicólogo americano, dedicou a sua vida a estudar o impacto da linguagem na qualidade das relações interpessoais. Criou a “Non Violent Comunication” (Comunicação Não Violenta – CNV), sendo que neste artigo, optaremos pela tradução cada vez mais usada: “Comunicação Afetiva e Consciente”.

Este tipo de comunicação tem como objetivo gerar mais compreensão e colaboração nas relações e tem sido usado em vários contextos: escolas, empresas, psicoterapia, relações íntimas, relações diplomáticas, etc. Neste artigo, iremos centrar-nos nas relações íntimas.

Mas será que comunicamos de forma violenta?

No processo de estudo da CNV, Rosenberg identificou padrões de comunicação que nos afastam uns dos outros. Embora possamos, à primeira vista, não considerar “violenta” a forma como falamos, muitas vezes provocamos dor e mágoa no outro com as nossas palavras (e até em nós mesmos, através da nossa voz interna). Assim, se “violento” significar comunicar de forma a magoar o outro, então muitas vezes, a forma como comunicamos – julgar o outro, acusar, apontar o dedo, discriminar, falar sem escutar, criticar-se e ao outro, insultar, reagir com raiva, estar na defensiva, julgar de forma polarizada (“bom” ou “mau”, “certo” ou “errado”) – poderá ser descrita como violenta. A lista de exemplos é bem mais extensa, e com certeza, todos nós já usamos este tipo de comunicação nas nossas relações íntimas, principalmente se estivermos em desacordo com o nosso par.

Então o que muda com a Comunicação Consciente e Afetiva?

A Comunicação Consciente e Afetiva orienta-nos no sentido de reformular o modo como nos expressamos e ouvimos o outro. As palavras, em vez de reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente fundadas na consciência daquilo que percebemos, sentimos e precisamos. Expressamo-nos de forma autêntica e clara, ao mesmo tempo que damos ao outro uma atenção respeitosa e empática, permitindo trazer conexão para a relação, mesmo quando o teor da conversa não é agradável.

A forma é simples, mas profundamente transformadora.

Embora simples, este processo não é fácil! E requer treino, muito treino. Poderá parecer pouco natural no início, mas se ambos os parceiros estiverem disponíveis para experimentar este tipo de comunicação, verão que a comunicação entre eles se tornará cada mais clara.

Lorenne Barbosa

Psicóloga Clínica, Terapeuta Familiar e de Casal

Foto de Edward Eyer no Pexels